Akio Kimura - 2008/2010
Sexta-Feira.
Sesta
Após o almoço.
Cesta de feira menor.
Sexta maior,
Sexta menor.

O sono
Cessa.
Sessa
O sonho,
Se externa,
Para labuta
Hesterna.
No espaço,
Expira-se.
O olho.

Olha-se
Para o céu,

De peito aberto,
Espira-se,
Saboreia-se
A lida,
Come-se as migalhas
De grão
Em grão.
Sobe-se

Para algum lugar.
Nota-se,
Não é experto
Em choro,
Em riso,
Esperto
Na batalha.
No simples,
É ser

Um ser humano,
Espectador
Dos outros,
Expectador
De si mesmo.
Cerzir o presente
O que foi
No passado.
Estátua.

No alto, como ele,
O auto, como ele
De braços abertos,
De onde tudo se vê
E nada se perde.
No presente,
Extático,
Um visionário
Do mundo.
Sem cingir o diadema.
FIM
Crédito-Foto: Sandra Santos, Desenho: Malek(homem sentado), Fotos fantásticas - em circulação na Internet, GermanPhotographer 2007.
Sesta = sono de curta duração
Cessar = parar
Sessar = peneirar
Hesterno = relativo ao dia de ontem
Expirar = definhar
Espirar = respirar, estar vivo.
Experto = experiente
Esperto = Ativo
Espectador = presenciador, testemunha.
Expectador = aquele que tem expectativa
Cingir o diadema = ser elevado ao trono
Extático = enlevado em êxtase.
Auto = ele mesmo, eu mesmo.
Sexta maior = distância de nove semitons entre sons(consulta-Google-Wikipédia)
Consulta: Dicionário Priberam
Akio Kimura - Fevereiro de 2010
Uma noite, num passado remoto, num bar de Buenos Aires, regado a vinho tinto seco e tango,

nós, turistas, ouvimos de uma idosa, um caso. Ela dizia num belíssimo portunhol:
- As teias de aranha são obras de engenho.

São fios emaranhados como as águas de um rio,

trançados como uma folha seca,

uma folha enredeada guardando o seu fruto.

Já alta pelo teor alcoólico, ela dizia com língua cansada, enrolando as palavras:

- Que as mulheres jovens e lindas, são aranhas, são tempos. As mulheres
representam pensamentos e palavras e as aranhas, com seus fios prateados, representam ligas,
caminhos vivos, ações e movimentos.
Com tolerância, ainda a ouvimos:
- que existem ainda, há quem matem as aranhas. Friamente.
Ela cerrou as sombracelhas, enrugou o rosto e mostrou os seus dentes alvos:
- uma ânsia nas entranhas. Um frio na alma, vazio! Pensamentos. Sensação de inexistência.
Ela debruçou-se sobre a mesa, escondeu o seu rosto entre os braços e prosseguiu:
- não se destroem ninhos tão belos, não se destroem um amor, não se destroem qualquer tipo de mulher,
nem homem, nem tampouco, um animal. Direitos e liberdade de vida. Voar como os pássaros!

Ela levantou a sua cabeça e mostrou alguns pingos de lágrimas escorrendo sobre o rosto e fitou-nos com olhar misericordioso:
- nem se pisa numa flor, nem se mata um amor. É amoricídio.
Então, em retribuição, devolvemos os nossos olhares, focando na beleza de seu ser. O seu olhar profundo fez revelar os seus
sentimentos. Ela sim, talvez tenha percorrido longos caminhos, sem notar que, de repente, o destino lhe abandonara. Deu para ler em seus olhos,

que em algum momento durante a sua vida, decerto, alguém tenha-lhe destruído as suas teias,
as suas obras de engenho, por um motivo qualquer.
Por todos os motivos que só ela poderia revelar.

FIM
Fotos-Créditos:GermanPhoyographer 2007, Foto-Agua, Beatifull-Pictures(Sublime), National Geographics, Fotos em circulação na Internet
CENA 07 - CASA DO COVA RASA - EXTERIOR - ENTARDECER
COVA RASA abre a casa para os três visitantes: - Aqui está o meu barraco!
Os três ficam espantados com a tamanha luxúria.

Viola observa todos os cantos da sala e ao mesmo tempo, analisa o Cova Rasa sentando-se folgadamente no sofá com sorriso irônico no canto da boca. Cebola e Juquinha ficam abismados quando veem "Home theater" com telão LCD e poltronas confortáveis.
CEBOLA: - Ô mano! Da hora! Maior animal!
JUQUINHA: - Pô, Cova! Você é rico!
VIOLA: - É isso que eu quero! Conforto, bebidas boas, comida do bom e do melhor!
COVA RASA se levanta divertindo-se com sobressaltos dos visitantes: - É isso aí, maninhos! Trouxe vocês aqui para mostrar que certos trabalhos dão lucros. E aí, Juquinha? Vai entrar? E você, Cebola? É pegar ou largar. E olha, gatinhas de monte! Viola, você não serve pra ser chefe e nem o Taquara que fica se preocupando com aquele sobrinho idiota, débil mental! É perder tempo e dinheiro! Viola, de agora em diante, tomo posse do bando.
VIOLA se espanta com palavras ásperas do Cova destronando-o da chefia: - Como é que é?
COVA RASA: - O que você ouviu! Você é surdo?
VIOLA reage e pega a gola da camiseta do Cova e o puxa para si, ficando cara a cara: - Fala sério, mano! Só por cima do meu cadáver!
COVA RASA sorri no canto da boca e cospe na cara do Viola e solta um murro no nariz.

Viola cai por cima da mesinha e se esborracha no chão. Quando se levanta, ensanguentado, vê-se diante de um 38. Os meninos, assustados, tentam socorrê-lo. Súbito, a voz estridente de Cova Rasa os faz parar: - Peraí, maninhos! Aqui é cada um pra si, quem morrer perde a briga!
CEBOLA: - Mano, você machucou o Viola!
COVA RASA ri em gargalhada: - Isso não é nada! É só o começo! O que quero dizer que aqui impera a lei do mandão. Sou eu! Vocês, moleques, vão decidir se vão entrar pro bando ou não! E nem precisa devolver essa medalha! E aí, Viola, concorda? Se não, tu morres!
VIOLA se levanta devagar, limpa o rosto de sangue e abana a cabeça em sinal de concordância. Cova Rasa se direciona para os garotos: - E vocês? Por que estão com essa cara de bunda?
JUQUINHA: - Cova, não quero entrar nessa roubada!(abaixa a cabeça)
CEBOLA: - Nem eu! Somos estudantes e não queremos estragar as nossas vidas.
COVA RASA: - Muito bem! À noite vamos dar um passeio até a Cordilheira. Até lá, vocês tem a última chance. Agora, peguem tábua de frios na geladeira. Tem refri de monte. Pensem até á noite! Agora vou descansar no meu quarto. Não dá no pinote! Tenho uns carinhas aí fora vigiando. Eles atiram para matar! Depois de comerem, podem ligar a TV.
Os três seguem em direção à geladeira, desconfiados com a gentileza repentina. Um tempo.
Depois de comer e assistir TV, Cebola vai ao banheiro. No corredor, o quarto de Cova Rasa semi-aberto. Ele está dormindo na cama. Cebola entra e se surpreende com cenas no monitor. São fotos de crianças nuas: - Caracas! Cova Rasa é pedófilo!
Depois, ao abrir a gaveta do criado-mudo, a gaveta range. Cebola fica estático. Cova Rasa se mexe, vira-se para outro lado da cama, solta um peido e adormece com expressão de delírio. Na gaveta, dez sacos de embrulhar pãezinhos repleto de pedras de crack, pacotes de pó e maconha. Depois, dirige-se ao monitor e verifica o site que está escrito em inglês. Clica. Centenas de fotos com menores de ambos os sexos.
Cebola volta à sala e conta a novidade: - Juca, estamos ferrados, o nosso mano é pedófilo!
VIOLA: - Quem? O que você disse? Pelópidas?
JUQUINHA: - Pedófilo! É uma pessoa doente que tem atração sexual pelas crianças.
CEBOLA: - Eu vi o site, ele vende fotos pro mundo inteiro.
JUQUINHA: - E a gente está sabendo coisas demais!
VIOLA: - A gente podia tentar fugir daqui.
JUQUINHA: - Têm três caras gigantes armados. Não temos chance.
Os três entreolham-se desanimados.
SEQUÊNCIA - NOITE - CHUVA
Antes de anoitecer, os quatro saem de carro e os primeiros pingos de chuva começam a cair.
Depois de um trecho, vão a pé até a Cordilheira. Os três capangas os acompanham.
CEBOLA: - Ninguém tem guarda-chuva?
JUQUINHA:- Programa do peru! Tava tão bom lá na casa!
Taquara está a espera, todo molhado, sentado debaixo de uma árvore e COVA RASA cumprimenta: - Taquara! Tu és pontual! Parabéns! Achou o louquinho do seu sobrinho?
TAQUARA com uma expressão de repulsa, responde laconicamente: - Não.
Depois de juntados, COVA RASA faz uma reunião rápida: - E aí, decidiram?
VIOLA: - Pensei bem e aceito você como sócio.
COVA RASA gargalha repetidamente: - Pois eu não aceito! Nesse momento, sou o dono da sua firma de entregas e da sua clientela. Vocês serão os meus subordinados. E cala a boca! E vocês, moleques?
JUQUINHA: - Não queremos participar, não é Cebola?
CEBOLA: - Se é! Tá decidido e ponto final! Vi que tu és pedófilo!
JUQUINHA: - Cebola! Não fala! Vai ferrar de vez!
O humor de Cova Rasa muda. Ele anda pra lá e pra cá pensativamente e decide: - Viola! Tenho um serviço para você! Faz esses moleques ajoelharem e depois dá um tiro na nuca. E rapidinho!
COVA RASA entrega um 38 com uma bala: - Tem que ser uma bala certeira! Só tem uma no tambor, isso é para você não atirar em mim, mas qualquer movimento diferente, você morre. Vai! O Cebola primeiro!
CEBOLA começa a tremer de medo. Diante da indecisão de Viola, Cova Rasa pega o Cebola pelos colarinhos e dá um tapa na orelha, empurra-o e dá um chute na bunda. Cebola cai e ajoelha-se com as mãos juntadas em posição de orar: - Pelo amor de Deus, não me mate! Falta mais um ano pra acabar o ensino médio!
COVA RASA tira as luvas e deixa à mostra, a tatuagem nas mãos

e dá um violento tapa na cara: - Só pensa em escola, moleque? Comigo não tem essa de Deus! Vamos, Viola, mata ele logo! Taquara, vigie o Juquinha! Deita ele!
Viola, com suor misturado com água da chuva, olhar esbugalhado, nervos a mil, aponta a arma para a nuca do garoto: - Viola, pelo amor de Deus, não me mata!

De repente, Viola desvia e aponta a arma para Cova Rasa e aciona o gatilho. Mas antes, um tiro certeiro perfura o coração de Viola que cai inerte. Juquinha e Cebola choram gritando o seu nome.
COVA RASA: - Isso é para vocês saberem que tenho sangue frio. Não vacilo, apago! Agora, você Taquara! Mata o Juquinha! Pega o 38 e bota uma bala. Aí de você se fizer a mesma coisa que o Viola, te apago na mesma hora!
Taquara se sente reprimido e tímido. De repente, Cova Rasa dá uma rasteira no Juquinha que cai esfacelando o rosto. Ele chora. Respira com dificuldades. Lá adiante, em rápida aparição, os quatro pares de tênis: - Ah! Esperança chegou.

COVA RASA: - Tá falando sozinho, ô moleque! Tive uma idéia! Vamos fazer o seguinte: menor que mata menor, não acontece nada, se o menor que matou for matado melhor ainda! Taquara, dá o 38 pro Cebola e Cebola mata Juquinha! Ah!Ah!(gargalhando)
CEBOLA: - Você não pode fazer isso com a gente! Somos amigos!
Logo, Cova Rasa rebate: - OhOhOh! Então, uma oração para os inocentes! Eu mesmo vou fazer o trabalho!
Taquara, sentindo Cova Rasa distraido, aponta e atira. Erra o alvo. Cova Rasa com um tiro, o mata.
COVA RASA: - Esses dois nunca mataram ninguém e quer trabalhar nesse ramo? Boiolas!
JUQUINHA chora. Cebola está fora de si. Cova Rasa se aproxima e aponta a arma na cabeça do Juquinha, que fecha os olhos e se rende.

De repente, uma corrente de ar. Aparição. Figura de uma moça surge envolvida em água.
JUQUINHA: - Nefta! Ela se transformou em adolescente!

Só Juquinha vê e a figura some. Em seu lugar, aparece o moleque, o sobrinho de Taquara com uma pistola de 16 balas nas mãos: - Vamos brincar de mocinho e bandido?
Cova Rasa vira o seu olhar para o moleque: - Ah! É o imbecil do sobrinho do Taquara!
De repente, o moleque dispara aleatoriamente para todos os cantos. Cebola e Juquinha permanecem deitados. Ouvem sons de tiros que confundem com os fogos das festas juninas. Juquinha, cuidadosamente, depois de um tempo, levanta a cabeça e olha para os lados: - Cebola, olha!
Cebola vira os olhos ao redor e vê caídos: Cova Rasa, morto com tiros no peito e os três capangas agonizando em dor. Os dois garotos se levantam e encontram uma surpresa: Xaxá e bando estão à sua volta e ouvem simplesmente: - Vamos embora. Alguém já fez o serviço. Os três que eu queria estão mortos. Cova Rasa, esse idiota do meu irmão, sempre querendo me imitar. Até a tatuagem na mão! Imbecil!
De repente, as sirenes dos carros da policia ecoam ao longe. O bando sai em debandada. Ouvem-se mais de cem tiros, carros em alta velocidade, brecadas e sons de trombadas. Um tempo. Um silêncio e de repente, a voz esbravejada de Tenente Pedro: - Vocês deixaram escapar o principal? Que raios de soldados vocês são?
Um tempo. O grupo de policia surge e vê a cena dos dois garotos.
Juquinha devolvendo a medalha e colocando-a no pescoço de Viola. Ele chora e aproveita para fechar os olhos do ex-mestre.
Cebola faz o mesmo com Taquara.
Súbito, Mirta e Alan aparecem com mais contingente policial. Abraçam-se. Os dois contam o ocorrido.
SEQUÊNCIA - RETORNO À CENA 01 - CASA DE CEBOLA - INTERIOR/EXTERIOR - NOITE
JUQUINHA: - Achou o moleque?
CEBOLA: - Não! Vamos procurar por aí! Vamos lá na Cordilheira e aí agente aproveita para ver o sol nascer.
SEQUÊNCIA - TRANSIÇÃO - CORDILHEIRA DOS MORTOS - EXTERIOR - AMANHECER
CEBOLA se aproxima de Juca: - Mano, larga esse gibí! Não terminou ainda?
JUQUINHA: - Terminei. É maninho, o vilão Kovaraz foi morto por um moleque pirado. E o danado salvou a vida do Jukin e Sebold. E o Sacha morreu. Encontraram ele estirado com tiros no peito. A policia disse que não teve participação nessa chacina.
CEBOLA: - Como reconheceram Sethys-Sacha?
JUQUINHA: - Pela tatuagem na mão esquerda.
CEBOLA: - Sethys-Sacha tinha tatuagem nas duas mãos, não tinha?
JUQUINHA: -Tinha! A irmã de Sebold namorou Sethys-Sacha! É isso mesmo! Sacha escapou!
CEBOLA: - Vamos pra casa, mano! Vão pegar Sacha quando o gibi não estiver vendendo mais. Mano, essa idéia de ver o sol nascer é legal, mas ele não vai aparecer. Você topa brincar de patins no Sábado lá na praça?
JUQUINHA: - Sábado tem ensaio de dança de quadrilha.
CEBOLA: - A gente vai antes de começar o ensaio. E nada de levar esse gibí! Você não se cansa de ler coisas repetidas?
JUQUINHA: -Não! O problema é meu.
CEBOLA: - Mano, cuidado para não confundir ficção com a realidade. O que está olhando para trás? Não tem sol. Vamos logo que estou todo molhado! A chuva foi forte!
Juquinha segue o Cebola olhando para trás.

CEBOLA: - Mano, e o segredo da Nefta?
JUQUINHA: - Por quê você não lê o gibi?
CEBOLA: - Larga a mão de frescura! Conta aí!
JUQUINHA: - Tá legal! É como nos finais de novela. A Nefta tomou a imagem de sua irmã Ísis, esposa de Osiris e o seduziu e ele não sabe que tem um filho com ela. Chama-se Anúbis.
CEBOLA: - Caracas! Por aí você vê que até os Deuses erram.
JUQUINHA:- A Nefta está corrigindo o seu erro. Ela foi vítima de seu próprio poder. O poder, não utilizado com consciência pode cegar.
CEBOLA:- Corrigindo? Igual aos políticos corruptos?
JUQUINHA:- No caso dela é diferente, é ficção.
CEBOLA:- Às vezes, a realidade copia a ficção.
JUQUINHA: - Verdade. Mano, olha para o leste, parou de chover e o sol está surgindo. Está vendo uma nuvem sobre o arco-íris?
CEBOLA descloca a sua vista para o leste. Vê apenas as nuvens sumindo: - Não.

FIM
Crédito-fotos circulando na Internet - Fotos que merecem Oscar(quatro tenis) - Handerbleit(tatuagem), worth 1000, PHOTOSHOP, Recorte - Veja São Paulo
SEQUÊNCIA
Viola e Cova Rasa (de óculos) empurram Juca e Cebola para dentro de um carro roubado e saem em disparada.
VIOLA: - Ô Cova, manera aí na velocidade! Hoje deu tudo errado!
COVA RASA: 
- Não quero que ninguém fica me mandando, nem você, Viola!
VIOLA: - Maninho, você viu o que aconteceu né? Juan tinha mandado assobiar Tico-tico no fubá, um código pra invadir uma área do Xaxá, só que ele esqueceu de avisar pro Josué que tinha mudado para Bem-te-vi, código para a nossa área! Que vacilo! Também foi cagada minha! Não devia ter pedido pra mudar a música! E deu no que deu! O tenente Pedro no comando, já viu né? Chega de conversa! Agora vamos resolver o caso dos nossos maninhos.
COVA RASA: - Pra que tanta frescura? Essa de devolver medalha? Você não fez isso comigo, nem com Caveirinha e nem com Chopinho. Nem precisamos deles. Não servem pra nada. Até melhor soltar.
VIOLA: - Se desse medalha pra tu, tu irias vender! Procure se ligar, Cova, os maninhos sabem demais. Juca ouviu toda minha conversa com Juan. Qualquer tapa na cara, entregam a gente, são de menor e inocentes. Quero fazer a cabeça deles, ser fiel a mim. E vocês nem precisam disso, são formados na faculdade do crime. E aí? Cadê a sua casa?
COVA RASA:- Conhece a vila Bigode do Gato? É lá que eu moro. Pertinho, dá para ir a pé.

JUQUINHA: - Boca quente, mano!
COVA RASA: - Cala a boca, moleque! Não pedí a sua opinião! Pô!... Lá é legal! Todas as casas são iguais! Lá sou respeitado!
VIOLA dá um sorriso irônico: - Respeitado como? Você é um padre? Um pastor?
CEBOLA: - Aí já é demais! Duas caras? Que tipo de homem que você é? Por quê você usa luvas num calor desses?
COVA RASA: - Não é da sua conta! Sou um homem ruim e homem bom, moleque esperto! Lá não falo gíria! Sou gente. Tenho outra cara! Falando em gíria, cadê o Taquara?
VIOLA: - Ele está procurando o sobrinho dele!
Juquinha e Cebola trocam olhares de viés e falam iguais ao mesmo tempo.
- Será que, o que você está pensando é o mesmo que estou?
VIOLA: - É um moleque. Sumiu de novo, aliás, some todos os dias! A mãe foi até na TV.
JUQUINHA: - A mesma história! Vai ver que ele achou aquele esqueleto na Cordilheira.
O carro estaciona numa casa térrea, bem conservada, com flores no quintal.
VIOLA: - Essa é sua casa? Com flores no jardim? Que surpresa! Gostei de ver! E Taquara? Ele sabe onde é que estamos indo?
COVA RASA: - Já dei as coordenadas. Ele vai estar lá na Cordilheira hoje à noite, perto do Morrinho do Tiziu.
CEBOLA: - O que que vai ter lá?
COVA RASA disfarçando: - Ah! Se Juca não entrar no nosso bando, vai ter dança de quadrilha, do jeito que vocês gostam. E vocês vão dançar!
CENA 06 - VILA BIGODE DO GATO E IMEDIAÇÕES - EXTERIOR - DIA
Alan volta do serviço com seu uniforme de carteiro

e ao atravessar uma rua da vila, encontra Mirta, irmã maior do Cebola. Ela está apreensiva telefonando pelo Orelhão, mas quando vê Alan, dirige-se apressada em sua direção.
MIRTA - MAGRA, MULATA, CABELOS ALISADOS, JEANS E TENIS:

- Alan, me ajuda! O Cebola e o Juquinha sumiram desde aquele tiroteio na escadaria! Fui até o Xaxá e ele disse que não tem nada a ver. Só avisou a polícia que tinha suspeitos perto da casa do Viola. E é aí que começou a batalha. A polícia pensou que era bando do Xaxá e foi pra cima com meia corporação e até com tropa de choque! Xaxá me disse que só quer pegar o Viola e o Taquara porque são traidores.
ALAN: - Calma, Mirta! Eles estão bem! São assim mesmo! Estão de férias e estão passeando. Eu vi os dois com Viola e outro que não conheço. Estavam alegres! Pareciam que iam jogar bola lá no Bigode do Gato. Você conhece Xaxá?
MIRTA, preocupada: - Fui namorada dele. Sabia que lá na Cordilheira tem um campo de futebol, mas também tem um local de desova de presunto chamado Morrinho do Tiziu? Vi Xaxá cortando um cadáver a machadada. Aquelas mãos tatuadas me deram arrepio! Todos os fiéis do bando tem tatuagem nas mãos.

E é aí que dei o fora.
ALAN: - Ele deixou? Que sorte! Você deve ser uma gata e tanto!
MIRTA: - Prometi a ele que ficaria de bico calado e quando me quisesse, poderíamos nos encontrar sem compromisso. Fiz esse acordo para proteger meu irmão Cebola. Xaxá quer ele no bando e não deixei! Não fala nada pra ele. Você me acompanha?
No meio do caminho, um bosque. Mirta encontra um morcego de borracha no chão: - Esse brinquedo é do Cebola. Estamos no caminho certo! Tenho certeza que eles estão reféns. Cebola me falou que Viola está mudado. Ele está traficando. Xaxá está pu..!
ALAN: - Viola? Ele nunca matou ninguém! Ele não tem personalidade pra isso! Ele foi meu monitor de esportes na escola! Então vou fazer denúncia anônima, Mirta! Talvez salve o Viola. É uma emboscada, tenha certeza disso! Vamos antes que chova! Olha a nuvem lá do outro lado!

MIRTA:- E se não for o que estamos pensando?
ALAN: - E se for? Todo mundo já sabe que Viola é inofensivo!
MIRTA: - As pessoas mudam, Alan! Sempre tem o primeiro aprendizado - subitamente, Mirta olha para cima - Alan! Olha! Um vampiro!

Quando Alan se dispôs a erguer os olhos para o céu, nada mais havia.
FIM
Crédito - Fotos em circulação na Internet: Handerbleit(tatuagem), Fotos incríveis(morcego), Fotos aéreas(autor desconhecido)
SEQUÊNCIA
BECO DA MORTE
No caminho, Alan se despede. Cebola e Juquinha chegam nas proximidades do Beco da Morte, um terreno baldio, repleto de postes,

com pouca iluminação. Há um aglomerado de pessoas assistindo a um cadáver crivado de balas. Juquinha bate a mão no corpo de Cebola e faz um olhar 21,30 e se retira. Cebola disfarça e anda sorrateiramente acompanhando o amigo de longe e se esconde atrás de uma mulher obesa. Juquinha está com expressão de abatimento e Viola, de impaciência. Depois de um tempo, Viola retira-se apressado.
CEBOLA se aproxima do amigo que está com expressão chorosa: - E aí? Como foi?
JUQUINHA: - Tu viu? O cara tá apressado! Falei com ele faz pouco tempo e quer que eu decida logo se entro no bando ou não! Cara folgado!
CEBOLA - E o que ele falou? Ele estava irado!
JUQUINHA - A guerra está começando. Sabe o Juan, o milico? Aquele que queria me apagar? Ele que matou o Tererê, esse aí que tá esticado aí!
CEBOLA - É o Tererê? Putz! O cara está sem rosto! Tá desfigurado! Pô! Esse Juan não é brincadeira!
CEBOLA, brincando com morcego de borracha e pergunta: - E a medalha?
JUQUINHA, precupado: - Viola me disse que se não entregar essa medalha, ele vem me buscar e me mata. Ele disse sério. Será que o cara mudou tanto assim? Ei, mano, para de brincar com esse morcego!
CEBOLA ri: - Que cisma com o meu bichinho! E você? Larga esse gibí! E aí, vai entrar pro bando? Não vicie no crack, tá ligado? Tem gente que viu bichos estranhos de arrepiar!

Esse que está estirado no chão, o Tererê, ele não sabia distinguir um cachorro de um pássaro!
JUQUINHA: - Vira essa boca pra lá! Crack nem pensar! Cebola, vou ficar com essa medalha . Ele não vai me apagar não. Não faria uma coisa dessa! Ele foi o meu heroi! Ele que me encaminhou para o bem.
CEBOLA: - É o que você está pensando, estou vendo você ir pro ralo. É melhor ir pra polícia!
JUQUINHA: - Perda de tempo! Polícia só atende quando alguém morreu!
CEBOLA: - Tá! Não se fala mais nisso. Você já descolou algum trampo?
JUQUINHA: - Conhece o Zé Baiano?
CEBOLA: - Conheço. O cara que vende água de coco na Escadaria da Lagosta.

JUQUINHA: - Vou fazer bico pra ele. Ele vai pro hospital. Ele errou o alvo e cortou a mão com o facão.
CEBOLA: - E por acaso, você sabe cortar o coco?
JUQUINHA: - É claro que sei, mano! Corto primeiro a parte traseira pra fazer a base pro coco ficar de pé e depois três cortadas na parte superior e furar para colocar o canudinho.

CEBOLA: - Se você voltar sem uma das mãos, já sei o que aconteceu!
Os dois se retiram do Beco da Morte a caminho de casa.
CENA 05 - ESCADARIA DA LAGOSTA - EXTERIOR - DIA
A Escadaria da Lagosta tem cerca de 100 metros, bem conservada e larga.

Chuva fraca. Há muitas pessoas subindo e descendo degraus. A parte alta é onde há pontos de ônibus, uma espécie de terminal não terminada. Juquinha está na parte de cima, no canto direito de quem vê, atrás de uma barraca de coco verde.
Ele atende um cliente. Corta a base do coco, corta a parte superior em forma de triângulo, enfia um canudo e oferece ao freguês. De repente, ouve-se tiros e barulhos de carros batidos vindos da parte baixa onde há um aglomerado de lojas e bares. De cima, todos assistem aos policiais carregando um ferido para uma das viaturas. Há também um carro tombado.

De súbito, as pessoas da escadaria começam a correr. Juquinha presencia um marginal ferido subindo as escadas com um revólver nas mãos: - todos quietos! Não vou machucar ninguém! Sai da frente!
Atrás, em perseguição, o Cabo Juan, subindo de dois em dois degraus, quando ele para para mirar o alvo. O bandido entra no meio da turba. Todos se deitam e se agacham, um vendedor, assustado, solta as suas bexigas para se proteger. Juquinha se esconde debaixo da barraca e de relance, reconhece o Cabo Juan.
JUQUINHA: - Nossa! Vão atirar!
O bandido, ao seu lado, se protege atrás da barraca e atira antes do Juan com vários disparos.

Som de tiros em OFF. Juquinha tapa as orelhas debaixo da barraca quando ouve a voz do TENENTE PEDRO: - Cabo Juan foi baleado! Josué e Breda, atrás do bandido! Não deixe ele escapar!
Juquinha se levanta e vê o Cabo Juan estirado nos degraus com um tiro na cabeça e outro no torax. Tenente Pedro chama ambulância pelo rádio, verifica o seu estado de saúde, quando o soldado treme o corpo e fica estático. Tenente levanta-se e respira fundo, fica um tempo, quando ouve ao longe, estampidos. Vê-se também, freadas bruscas de mais viaturas policiais.

De cima, surgem os PMs gritando: - Tenente! Acabamos o serviço! Esse não respira mais!
Juquinha se desespera e começa a desmontar a barraca. De repente, se vê de frente com Viola e COVA RASA, alto, troncudo, moreno, cortado careca. VIOLA: - O que tu tá fazendo aqui?
JUQUINHA, constrangido e com olhar de desespero: - Estou vendendo coco! Estou ajudando Zé Baiano que se machucou.
COVA RASA, com olhar desconfiado, mede Juquinha da cabeça aos pés e fala com gíria carregada de malandragem: - Viola, é esse aí que você falou? Pescoço de galinha!! É muito gente fina! Aposto que foi ele que caguetou os nossos camaradas pros meganhas. Eu conheço o tipo! Ele sabia que a gente estava vendendo pedras pro pessoal de baixo! Perdemos dois homens!
VIOLA: - A polícia pensou que era o bando do Xaxá! Só pode ser! Tinha até tropa de choque! Pode ser obra do Xaxá também. E tu, gente fina, vai me dar esse medalhão agora?
JUQUINHA se engasga e gaguejando e responde:- Viola, ce sa..be que não dou pra coisa. O Cova Rasa sabe! Ele tem razão!
VIOLA: - Vamos, me segue.
JUQUINHA: - Tenho que arrumar a barraca.
COVA RASA: - Deixa de frescura! Deixa essa coisa de lado!
De súbito, Cebola aparece assobiando e brincando com o seu morcego de borracha. Ele para. Logo Viola e Cova Rasa o cercam.
COVA RASA: - Você é amiguinho desse bunda mole?
CEBOLA: - Nunca vi esse cara! Não conheço! Dá licença, vou indo!
COVA RASA dá um tapa na orelha do Cebola, que assustado, não reage.
VIOLA: - Vamos pra roça. vocês pensam que enganam? Conheço vocês, não se lembram?
Juquinha e Cebola se entreolham.
JUQUINHA: Vamos.
Ele olha para a escadaria abaixo.

FIM
Créditos-fotos - Unglaublitchim, br.esportes.yahoo.com, nabudega.website seguro.com, flickr.com, oaxacadiário.blogsome.com., site da Pref. de Bento Gonçalves(escadaria) Fotos em circulação na internet - Photoshop
Retirarei do post, qualquer protesto sobre a imagem. Grato.
(Continua)
CENA 04 - QUERMESSE - EXTERIOR - NOITE
A quermesse apresenta boa movimentação. Há muitas barracas enfileiradas. O som anima um grupo que dança quadrilha na quadra de esportes. Os espectadores batem palmas acompanhando o ritmo.

CEBOLA está de noivo e JULINHA, MORENA, MEIGA E BONITA, de noiva. JUQUINHA, de camisa xadrez e chapéu de palha está em companhia de KELLY, MULATA, MAGRA E BONITA, vestida de chita. É o momento final dos festejos e o grupo sai acenando para o público e se dispersa.
CEBOLA(apaixonado) no meio da turba, aproxima-se de Julinha e fala baixo na orelha: - Julinha, queria falar com você. Quer um "refri"?
JULINHA friamente responde: - Não quero beber nada. O que você quer?
CEBOLA olha para os lados e gagueja: - Ju...linha, Julinha, é o seguin...seguinte..
JULINHA, com impaciência: - Cebola, pode deixar essa conversa para depois? Queria ir pra toalete. Já sei do que se trata.
CEBOLA se surpreende, fica paralisado, de boca aberta e olhos arregalados, enquanto ao lado, Juquinha se despede de Kelly com beijinho no rosto.
JUQUINHA: - Vou até o banheiro e volto.
Há uma enorme fila no banheiro. Juquinha pega o gibí do bolso de trás e inicia a leitura.

Pega justamente onde Ísis, Nefta e Hórace estão de saída para buscar Osiris.
JUQUINHA folheia uma página. Um tempo: - Em voz OFF - E essa fila que não anda? Desse jeito vou cagar nas calças. Ir pra casa é mais rápido! Em cinco minutos estou lá.
No caminho, Juquinha não aguenta e dirige-se até um enorme terreno baldio. Pula o muro e dirige-se até o matagal. No meio da necessidade, a claridade da lua iluminam os rostos de Viola e Juan.
VIOLA, com a mão direita no queixo, andando pra lá e pra cá: - Cabo, tu tem certeza que alguém te encobre na polícia?
CABO JUAN, com certa irritação: -Pô, para de me chamar de cabo! E se alguém ouve? Me chama de Tico-tico!
VIOLA levantando as duas mão em sinal de desculpas: -Tá legal! Me desculpe!
JUAN acendendo um cigarro: -Josué me cobre, ele é do peito. Dou uns cascalhos e ele fica quieto. Já vendeu aquele pacote?
VIOLA: - Vendi. Os riquinhos da escola particular estão pedindo mais "crack". Traz mais!
JUAN: -Tá! Tenho um primo que é ajudante lá na Narcóticos. Ele sempre traz um ou dois pacotes. Só preciso tomar cuidado com o Tenente Pedro. O cara é CDF! O negrão é foda! Com ele é xadrez com certeza!
VIOLA: - Se ele te pega, nós estamos ferrados!
JUAN: - Por isso estamos de olho aberto! E o esquema? Vai ficar só no crack?

VIOLA: - É o que tem mais saída, cabo, quer dizer, Juan, desculpe, Tico-tico, mas também temos o risco de perder a freguesia mais rápido. Essa droga acaba com o cara, deixa na pior. Mas temos que ter de tudo. Xaxá armou uma estrutura boa: ele pega a molecada e vai disciplinando até chegar de maior. Aí ele paga cursinhos pro cara passar para se infiltrar na polícia, nos bancos, hospitais e empresas de vigilância. Só que entrou nessa, não tem mais volta.
JUAN: - É o que ele fez comigo, me infiltrou. Só que ele quer me apagar. Não consegui entregar uma mercadoria porque teve denúncia anônima e me ferrei. Neguei tudo e caguetei o Xaxá. Ele foi "encana". Josué testemunhou a meu favor e me livrou.
VIOLA: - Mas depois Xaxá foi solto, sabia? Armou uma bandalheira para mostrar o seu poder.
Tem um amigo do amigo dele que é juiz. Nesse ramo não se pode confiar em ninguém. Nem na mãe. Então, quando começamos?
JUAN: - Já! Começamos com denúncia anônima. Xaxá soltou fogos

ontem à noite na região dele, é o sinal de que a mercadoria tá na área. Então, escolhe um dia ímpar para a denúncia. Aqui está o celular do Josué. A senha é assobiar a música "Tico-tico no fubá".

VIOLA: -Tico-tico no fubá? Não sei assobiar. Não pode ser o assobio do Bem-te-vi?

JUAN: -Tá! No dia da abordagem, você tem que sumir, senão...
VIOLA: -Tá. Tu conhece Taquara?
JUAN: - Conheço. É um que tem palha de aço na cabeça. Parece Torre Eiffel. Vi ele outro dia, mas deixei escapar. Pegamos a mercadoria dele que estava com o seu comparsa chamado Nino. Tenente pediu para Josué levar para a seção de tráfico, mas entregou a mercadoria para mim. O tenente confia muito em nós. Quando estou no comando, sempre solto Taquara. O carinha me dá lucro.
VIOLA: - Ele é dos nossos. Facilita pra ele.
De repente, JUQUINHA solta gases fortes(flatulência-peido).
Pfum!Brrft!
Os dois ouvem e logo Juan grita sacando arma
do bolso da calça ao lado do joelho.
VIOLA vai em direção ao arbusto: - Ei! Quem está aí?
JUQUINHA corre apertando o cinto, mas para quando ouve a voz de JUAN: - Parado! Senão leva um pipoco!
JUAN pega pelos cabelos e leva até ao Viola que o reconhece: - Fica quietinho! Cê tá fedendo, ô moleque!
VIOLA: - Juquinha! Que tu tá fazendo aí, maninho!
JUQUINHA: - Mestre Viola? Você?
JUAN: - Mestre? Tu é professor? De quê?
JUAN lamentando o ocorrido, responde: - Fui instrutor de patins da molecada junto com Taquara na Comunidade. Ei Juca, não me chama de mestre! Já era! Vai limpar a bunda, fedô do cacete! Tem folha de mamona alí, vai!

JUAN: - Ô de menor, você ouviu a nossa conversa?
JUQUINHA: - Ouvi, mas fica numa boa! Não sei de nada, não conheço vocês!
VIOLA: - Sei que tu tá pensando de mim, pivete! Tá decepcionado comigo? Aquele passado glorioso cheio de medalhas no pescoço e sem grana já era. Essa medalha de honra que ganhei na Argentina (mostrando a medalha em seu pescoço) não encheu a minha barriga e nem do Taquara.

JUAN cruza os braços olhando para os dois: - Olha só! Temos heróis nacionais na berlinda! Você mete o pau e fica com a medalha no pescoço?
VIOLA sem ligar para ironia do Juan continua: - Não existe emprego pra pobre que quer subir na vida, quando chega a ponto de ser chefe, eles mandam embora. Fiquei desempregado e parti pra essa. Percebí que a nossa sociedade é um consumidor de drogas da porra! E os pais nem sabem que os filhos são viciados.
Juquinha volta do arbusto.
JUAN: - Ei companheiro, vamos parar com esse papo! Vai contar a sua vida inteira? E o garoto aí tá sabendo muita coisa. Temos que apagar o carinha aí!
JUQUINHA olha desesperado par os dois: - Mestre...quer dizer, Viola, fala pra ele que sou maior legal! Fui o melhor aluno!
JUAN retruca: - Se fosse o pior, seria melhor para nós. Então, é melhor apagar.
JUAN derruba Juquinha empurrando-o. O garoto começa a chorar e vai se arrastando sentado, de ré. A figura de Juan se aproxima lentamente apontando a arma. O menino se deita, fecha os olhos e abre. De súbito, vê no céu, um ser alado.

VIOLA intercepta apontando arma para Juan: - Cabo Juan, o menino é gente fina! Eu garanto. Se você apagar ele, não garanto você!
JUAN abaixando a arma: - Tu garante todo mundo!
VIOLA: - Vamos fazer o seguinte, Juquinha vai entrar pro bando.
JUQUINHA rebate de imediato: - Viola, tu ficou louco? Sou de menor!
VIOLA: - Tu vai ser "avião"!
JUAN: - Viola, tu tá dando muita chance pra ele.
VIOLA: -Fica frio. O carinha chegou em boa hora. Juca, vou te dar essa medalha em sinal de compromisso. Se você me devolver, você não morre, senão, vou buscar a minha medalha pra te matar.
JUAN: - AhAhAh! Que frescura é essa! Tá pensando que é personagem de um filme?
VIOLA: - Me devolve em uma semana.
JUAN: -É assim? Vai deixar ele numa boa?
VIOLA: - Juca, ficou mudo? É isso aí! Esqueça que fui seu mestre! Agora some da minha frente!
Juquinha abatido, sai caminhando devagar, chorando. Antes de pular o muro, olha para trás.

Não havia mais ninguém.
FIM
(continuação Os manos 04)
Crédito - Fotos - fotos circulando na Internet (de nuvens), Espelho d'água, Fotos fantásticas, Google-Wikipédia (Fashion Buble), EREPUBLIK, site http://www.terrabrasil.org.br, http://lawyer.susaonline.com, http://geocities.ws, blueswritter
(continuação do 02)
CENA 03 - OUTRO LOCAL - PRÓXIMIDADE DE UMA ESCOLA PARTICULAR - EXT. - DIA
NINO, LOIRO, CABELOS ENCARACOLADOS, 19 anos, classe média, estudante repetente de uma escola particular, está parado numa avenida, num ponto de ônibus. Taquara, aproxima-se e entrega o cão para Nino e se retira indo para a esquina. Nino dá um tempo e disfarçadamente, descola o velcro da coleira e encontra um saquinho comprido, e faz sinal de OK para Taquara que está na esquina.
No lado oposto da rua, uma viatura de polícia se aproxima de Nino.

É tido como suspeito. Nino disfarça acendendo um cigarro. Na viatura, Tenente Pedro (NEGRO, ALTO, MAGRO, DE BIGODE),

Cabo Juan(MORENO, TRONCUDO)

e mais dois soldados JOSUÉ(LOIRO E FORTE)

e BREDA (MULATO PORTE DE ATLETA).

TENENTE PEDRO bate o olho em Nino
Aquele alemão, está assustado!
Viatura faz abordagem.
JUAN, revista ele!
O quatro policiais descem rapidamente. JUAN sai do carro com arma empunho.
Vai encostando as mãos pras paredes, devagar!
O PM JOSUÉ faz uma revista e encontra na jaqueta, uma sacolinha de plástico cheio de "crack"
Olha só, Tenente! "Crack"!
TENENTE PEDRO
Vamos pro Distrito, rapaz! O cão é seu?
NINO cabisbaixo.
É.
PM BREDA
Olha, tenente! O cão está fugindo!
TENENTE PEDRO
Deixa ele! O cão não tem nada a ver com o crime!
PM BREDA
E por que ele está fugindo? Esses cachorros são ensinados!
PM JOSUÉ
O cão nem sabe o que é "crack"!
TENENTE PEDRO de repente bate o olho no TAQUARA perto da esquina.
Pega aquele! De blusão verde! O de patins!
Os PMs BREDA e JOSUÉ, mal o veem, mas saem em perseguição a pé. Taquara imprime velocidade incrível em seus patins, desliza para uma rua à esquerda, à esquerda novamente e chega na casa de Nino. Pula o muro e entra no quintal. O Pitoco o recebe com boas vindas. Descansa, respira e rapidamente, abre a mochila, troca patins por tenis colorido,
vira o blusão verde dos avessos que vira cinza,
tira o gorro e deixa descobrir os seus cabelos altos e rodeados,

coloca os óculos, puxa os zíperes da calça na altura do joelho virando calça e sai caminhando tranquilamente. Numa rua, cruza com os policiais sem despertar suspeitas.
TAQUARA pensando alto.
Perdí mais um lote de "crack"! Tô devendo uma nota preta! Xaxá vai me apagar!
SEQUÊNCIA - Outro lado da rua - carros parados - Taquara está perto de uma árvore.
TAQUARA observa a saída dos alunos da escola particular, quando reconhece um amigo: ZÉ PERNAMBUCO, MORENO E TRONCUDO, CABELOS ESTICADOS, ÓCULOS ESCUROS. Ele carrega mochila estampada e troca com outra igual com uma menina e transfere para as costas de seu filho.
TAQUARA se decepciona. (voz em off)
E o Zé tomando o meu lugar com maior cara de pau! Eu uso um vira-lata e ele usa o seu filho! E lá se vai o meu sonho de morar na beira de um lago na Europa!
Por trás da árvore, uma moto estaciona e Taquara sente dedo cutucar os seus ombros. Ele se vira.
VIOLA - MEIO OBESO, FORTE, CARA REDONDA, BLUSÃO ESCURO.

Tá de campana, Taquá? Quá quá quá!
TAQUARA
Viola! Como vai, mano? Tava sonhando com uma casa, uma ponte com um rio límpo pra pescar, mano!
E aí? Quanto tempo! Andou sumido, cara!
VIOLA, de queixo levantado, olhando de cima para baixo.
Tava enquadrado! Xaxá me entregou pros homens! É o patrão do Zé, aquele lá!
TAQUARA vê Zé Pernambuco levando o filho para casa.

É meu velho! Pegaram o Nino, o meu parceiro! Foram eles que avisaram pros homens. Se Nino for homem, não vai me entregar...Vem cá, Viola, dizem que Xaxá

fez caguetagem anônima pra tirar você do lance?
VIOLA
Verdade! Xaxá apanhou paca! Pô, ele tinha que aguentar, ele era líder! A nossa sociedade de desmanche de carros gorou! Mas estou no pedaço, mano. Vou concorrer com ele. Tô armando um esquema. Conheci uns caras, um é funcionário da Narcóticos e outro, um PM que está na pendura. Tenho um firma de motofrete, tudo legalizado. Faço entregas, se ligou?
TAQUARA
Mano, tem que ter capital, se você começa sem reservas como eu...tô devendo uma grana alta pro Xaxá!
VIOLA com ar de despreocupado.
Grana não é problema. Não é que consegui montar uma firma? Tenho reserva também. Indiquei uma empresa de valores pro Papito, que rouba só coisa grande. Deu tudo certo. Pensa e fica com esse medalhão. Se decidir ficar comigo, não precisa falar nada, é só me devolver que é sinal que estamos juntos. Você tem moto?
TAQUARA
Não tenho moto. Xaxá me tomou. Mas não precisa me dar o medalhão, já tô dentro! Xaxá tem um esquema novo, ele prepara a molecada e quando for de maior, presta concurso pra polícia, hospital, escolas e fica com alguns homens lá dentro.
VIOLA enfia a mão no bolso e dá algumas notas de cinquenta.
Vou adotar esse esquema também. Tô indo, mano! Estamos juntos nessa! Guarda aí, o meu cartão de visitas e fica com esses "cascalhos" pra quebrar um galho. Me telefona à noite. Comigo, pode sonhar mais, uma bela mulher e um cão de raça que você sempre quis.

TAQUARA
Falou! Vou nessa!
FIM
Créditos -Fotos circulando na internet: Water mirror (Espelho d'agua), Fotos fantásticas.
(continuação do 01)
CENA 02 - SEMÁFORO DE AVENIDA - EXTERIOR DIA
Ao chegar no farol vermelho, CEBOLA se irrita com JUQUINHA que para, e logo dá sequência à leitura do gibí.
CEBOLA com olhar de repreensão.
Maninho! Não dá pra dar um tempo no gibí? Tá tão bom assim?
JUQUINHA interrompe a leitura e responde com sorriso feito.
Tá maior bom, mano! A história é tão absurda que acontece onde o arco-iris nasce.

É história de uma gangue. O Sethys-Sacha, o chefe, matou o próprio pai por motivos não revelados, cortou o corpo em pedaços e escondeu cada membro em lugares diferentes.
CEBOLA
Parece o Xaxá! Dizem que ele era o filho do Dinho, o baixinho. Se lembra do esqueleto que o moleque trouxe pra minha casa? A história é quase igual. Plágio.
JUQUINHA faz expressão de incrédulo
É boato. Dinho tinha uns 48 anos. Xaxá tem uns 26.
CEBOLA
Ah! Aí que você se engana! Xaxá com uns 15 anos já era pai, tá ligado?
JUQUINHA solta um sorriso zombeteiro.
E o Sethys matou mais três pessoas que foram testemunhas do assassinato.
CEBOLA indignado.
Caracas! Parecido com os casos por aqui! A gente não pode ver gente morrer que a gente também morre.
JUQUINHA folheia uma página.
Então, as vítimas se chamavam Ísis, esposa do pai assassinado, a irmã Néfta e o irmão Hórace.
CEBOLA com expressão pensativa:-você já me contou. Está me repetindo a história. Todos parentes! Tem coisa aí. Se fosse na realidade, seria incesto na certa.
JUQUINHA com olhar arrebatado
Cebola! O pior que é! Você já leu esse gibí?
CEBOLA
Só chutei! Você já me contou quase tudo!
JUQUINHA
Hórace morreu antes. Isis e a Néfta foram espancadas até a morte e jogadas de cima de uma ponte.

CEBOLA
Se afogaram! Já me contou também!
JUQUINHA
Mas antes de morrerem, elas juraram que iriam fazer justiça a qualquer custo!
CEBOLA, irônico
Os mortos não podem fazer nada! Bem...se for praga de parente, pega!
JUQUINHA ri.
É ficção, mano! Continuando, depois de mortas, as almas se uniram e fizeram magia para juntar os pedaços do corpo de Osiris para reconstruir a sua alma.
CEBOLA
Essa não sabia, e depois? Os quatro ficaram juntos?
JUQUINHA
Não. Osiris mora depois do por do sol para se refazer. A Néfta que é o cara! É uma espécie de bruxa, deusa e anjo porque tinha poderes espirituais. Trouxe também de volta o irmão Hórace que vagava perdido, sem identidade. Ele foi morto sem ver a face dos assassinos.
CEBOLA
Se fosse na vida real, a Néfta seria uma médium poderosa!
JUQUINHA
E sabia que Néfta abusou de seus poderes? Ela tem um segredo e todo segredo é um pecado.
CEBOLA: - Mano, já sei o segredo!
JUQUINHA
Sei lá quando ela vai revelar. Por isso, ela paga fazendo justiça. Continuando, depois de terem sido jogadas da ponte, os corpos foram parar num lago rodeado de árvores secas.
E sempre ao amanhecer, os três partem para buscar Osiris.

É quando a paisagem se modifica.

É quando eles estão ocupados.
O itinerário começa assim: Ísis, Néfta e Hórace emergem-se das águas, deslizam sobre arco-iris em forma de tornado, e em terra, transformam-se em morcegos e voam em direção ao ocaso, onde Osiris reside.

E depois partem para curar a deterioração da consciência humana na Terra.

São chamados de "Quatro Fantasmas". São quatro sombras no chão.
CEBOLA
E cada um tem a sua função? Você já me disse.
JUQUINHA
Sim. A alma é a Isis, o espírito é a Néfta e a consciência é o Hórace.
CEBOLA
É tudo mesma coisa! Eu só não sei onde se passa a história.
JUQUINHA
Lá pelas Ioropas.
CEBOLA
Europa, Juca! Fala direito! E como eles fazem justiça? Mandam algum recado?
JUQUINHA
Mandam! É um raio e depois um estrondo de um trovão.

E logo após, Néfta, surge das nuvens coloridas. Ela faz aparição pessoal e com seu poder, induz a polícia ou uma pessoa comum a entrar em ação para atrapalhar a operação dos malvados.

CEBOLA
Então a justiça é feita por pessoas e essas pessoas nem percebem que estão fazendo justiça. Também já sabia!
JUQUINHA
Isso mesmo. É uma espécie de anjo, um espírito que se abriga na consciência da pessoa. Os malvados pagam os seus crimes aqui na terra.
CEBOLA
Essa parte não sei. Não tem Céu e nem Inferno para os criminosos?
JUQUINHA
Não. No gibí, os "Quatro fantasmas" acham que Deus já deu poderes ao Homem de pensar e de falar,
dois atributos suficientes para poder analisar as situações e julgar por si mesmos.
CEBOLA
Com algumas exceções, não é o que tá acontecendo no mundo real. Os governantes, políticos, os juízes, os advogados estão deixando a desejar. Os jornais publicam as falcatruas todos os dias. Deus tá precisando interferir.
JUQUINHA e CEBOLA atravessam o farol vermelho aproveitando o trânsito leve.
JUQUINHA
Nem Deus consegue mais! Teu vocabulário tá melhorando, mano! Depois te empresto o gibí.
CEBOLA
Não precisa! Você já contou a história!
JUQUINHA
Tem o final.
CEBOLA
Já sei! O bando do Sethys vão pagar pelo que fez. Final maniqueísta. É óbvio!
JUQUINHA
Óbvio? Tu tá falando difícil!
Ué! Normal! Você também! Acessamos internet, estamos lendo gibí, jornais e livros. Estamos na idade de querermos saber de alguma coisa. Concorda?
JUQUINHA
Concordo! Estamos quase adultos.
E assim, os dois amigos caminham em direção ao galpão de ensaios para as festas Juninas.
FIM
(continua em Os Manos 03) Crédito-Fotos: Circulando na Internet: Unglaublitchin, Nationalgeographics, GermanPhotogapher, Pixidaus - Pesquisa: Google - Wikipédia-Deusa Nefts de Rosane Volpato - Por se tratar de ficção, a história não segue fielmente o tema na íntegra.
Akio Kimura - 2005 - Titulo atual: Os manos - 30/11/2009
CENA 01 - UMA PRAÇA - EXTERIOR - DIA
Numa praça, o garoto Cebola, 16 anos, ruivo,
de bermuda cinza e camiseta, rodopia com seus patins
enfrentando obstáculos em assentos de jardins.
Juquinha, seu amigo, também de 16, mulato, de bermuda e camiseta,
sentado na guia da calçada, lê uma História em Quadrinhos
cujo tema é violência. Os personagens do HQ estão em conflito.
Juquinha, envolvido com a história, parece estar em transe. Um tempo.
Um cão lambe seu rosto e ele faz carinho atrás da
orelha, mas estranha a coleira, mais grossa do que padrão.
JUQUINHA
Cebola! Chega aqui! Tem coisa na coleira desse cão!

Mas antes, alguém para em frente ao Juquinha, que sentado, olha
para cima. É o Taquara, um jovem de 20, alto, magro, de bermuda e patins,
rosto comprido, gorro alto, blusão dupla face e mochila nas costas.
TAQUARA, em tom arrogante.
Ô pivete! Não mexe no Pitoco, falou?
JUQUINHA, surpreso, levanta-se forçando um sorriso.
Oi Taquara! Tudo em cima?
TAQUARA
Vocês estão na moleza! Cabularam aula?
De repente, Cebola chega rodopiando e freia os patins.
CEBOLA
Não! Hoje é reunião dos professores.
JUQUINHA
E daqui a pouco, a gente vai ensaiar Quadrilha.
CEBOLA
Semana que vem tem dança de São João. Aparece lá.
TAQUARA, com olhar de cima para baixo.
Não vou nessa. Tenho trampo.
JUQUINHA, irônico.
Trampo?
CEBOLA interrompe.
Juca, cuida da sua vida! Se toca!
TAQUARA muda de assunto.
Não esquenta! Ô Cebola, tu tá ruim de patins! Vou te ensinar aquele lance, olha só!
Taquara, numa velocidade incrível, rodopia, e desliza no banco de jardim e retorna.
JUQUINHA
Pô! Assim não vale! Tu foi campeão! Quer humilhar a gente?
TAQUARA
Sem essa de humilhar! Sou mano de vocês!
CEBOLA
Taquara e Viola foram nossos professores de patins! Se lembra, Juca?
TAQUARA, incomodado, muda de assunto.
Ô pivete, e aquele lance do moleque? Saiu até na TV!
JUQUINHA
Ah! Foi na semana passada! A gente tava catando latinhas pra vender.
CEBOLA
E aí, vimos um moleque perdido procurando a mãe.
JUQUINHA
Procuramos e nada! O moleque não tinha noção onde estava.
Então, trouxemos o moleque pra casa do Cebola, é ou não é Cebola?
CEBOLA
É! A minha vó deixou ficar em casa até aparecer a mãe, só que...
TAQUARA, curioso.
Só que o quê, pivete?
JUQUINHA
O moleque é um capeta! Aprontou que só vendo!
TAQUARA
Aprontou? Fez guerra de merda dentro de casa?
CEBOLA
Não. O moleque sumiu e voltou só a noite. E nós voltamos de manhã, procurando por ele!
TAQUARA: - Como? Se ele não tem noção do lugar? Se ele tava perdido?
JUQUINHA
Sei lá! Quando a avó do Cebola voltou das compras...
CEBOLA interrompe.
Juca, deixa eu contar!
Quando a minha" vó" entrou em casa, o moleque tava vendo TV
junto com uma caveira de gente no sofá. Acho que o corpo era do...
TAQUARA estala os dedos e completa a frase.
Dinho! O baixinho! Tinha dívida com os malvados, cortaram o corpo com machado,
queimaram e enterraram no Morrinho do Tiziu. Foi no mês passado.
JUQUINHA
Será que foram os manos mesmo?
CEBOLA afirmando.
Pô! É claro que foram eles. Não tem mais ninguém!
Você sabe pelo menos o nome de cada um deles?
JUQUINHA
Xaxá, Loiraça, Zé Pernambuco e outro que não lembro o nome.
TAQUARA com ar de impaciência.
Ô pivete! Fala do moleque! O que a sua "vó" fez com o esqueleto?
CEBOLA concentra-se para reiniciar a história.
Ela embrulhou tudo! Até o resto que estava na mesa da cozinha, joguei no lixão.
TAQUARA, impressionado com o moleque.
Cacete! Ele não tem noção! Vocês explicaram pra ele?
JUQUINHA
O quê? O moleque não é de falar e muito menos de ouvir!
CEBOLA
Ele só fala main, bingu, cumida, áuga, xixi, xaxá, bãbã e cocô, mais nada!
JUQUINHA
Lá no galpão da comunidade, todos acharam lindo, pegaram no colo, até que..
TAQUARA, sorriso irônico.
Que arte que ele fez? Cagou?
CEBOLA, rindo.
Mais do que isso! Pegou o short sujo e girou correndo pelo salão e espalhou coco por todos os lados. E ainda, moleque tacou fogo na cortina do palco!
TAQUARA, rindo
E depois?
JUQUINHA
O moleque achou um "Três oitão" numa pochete e começou a brincar de bangue-bangue
e gritava correndo bãbã! Bãbã!
TAQUARA
Não tem nada demais!
CEBOLA
Tem! O moleque começou a atirar pra todo quanto é canto! A arma era de verdade!
Só via marmanjos se atirarem debaixo da mesa, atrás do balcão...
TAQUARA
Matou alguém?
JUQUINHA
Não. Graças a Deus! A arma era para defesa pessoal do secretário do Diretor da Comunidade.
Eles estavam jurados de morte. Os malvados não queriam que eles construissem
pista de esqueite, de patins e nem quadra de basquete nessa praça. O pior é que o
pessoal da Comunidade foi parar na delegacia por porte ilegal de arma.
CEBOLA
É isso aí! Tá faltando mão de obra pro tráfico. Se fizerem esses brinquedos nessa praça,
vai ser difícil achar um "avião".
JUQUINHA
Depois, mano, deu na TV! A mãe do moleque
foi presa junto com o pessoal do bingo clandestino.
Ela disse que tava procurando seu filho, descreveu que ele só falava xixi,
coco e bã-bã e deu o número do celular. O pessoal da Comunidade pediu
pra mãe que deixasse o garoto na creche da Comunidade.
TAQUARA
Acho bom mesmo! Vocês sairam de lá afinados! Tem psicóloga.
Obrigadão pela guarda!
CEBOLA
Obrigado do quê?
TAQUARA
A mãe do moleque é minha irmã mais velha, viciada em bingo.
É meu sobrinho.
Cebola e Juquinha ficam pasmos, enquanto Taquara se despede dirigindo-se
até o farol acompanhado de Pitoco.
JUQUINHA
Taquara! Cuida do moleque!
CEBOLA
Ele tá numa roubada, não tem condições! Ele já assumiu a sua bandidagem.
Um tempo.
JUQUINHA ouve uma voz.
CEBOLA
Juca! De novo com esse lance de médium? Vamos pro ensaio! Começou a chover!
Juquinha como se saísse de um transe, fecha a revista, acompanha o Cebola.
JUQUINHA, olha para trás.

Vamos.
FIM
Crédito-Foto em circulação na internet-"Fotos que merecem Oscar"-Auke Van Weide - Colab.Nico Bozzolan
Vander Weide@yahoo.com
Continua - Os Malvados 02
Akio Kimura - 21/11/2009
Fotos maravilhosas em circulação na Internet
01 - Taturana
Um olhar para o futuro
Borboleta.

02 - Um caramujo
Carrega sua casa.
Artigo de luxo

03 - Vai, taturana!
Metamorfoseie-se!
Toda florida!

04 - A Joaninha,
Sem saída, cede ao Joanão,
de plantão.

05 - Um lindo inseto
Jóias coloridas
Um lindo objeto.
06 - Um tiro certo
Bala verdadeira
Gizes quebrados.

07 - Ô, meu Papai Noel!
Que bons tempos aqueles.
Boas Festas.

08 - Caminhão.
A ordem dos fatores
alterou o pontilhão.

09 - Estrelas do mar
Não iluminam o céu
Águas apagam.

10 - A tartaruga, de nervosa,
ofende um "paparazzi".

11 - "Há uma certa ordem
de equilíbrio nessa bagunça"

12 - Há um certo desequilíbrio
nessa ordem de fatores.

13 - Há um contraste de culturas
dentro dessa ordem moral.

14 - Na ordem dos fatores,
ordem,
sem alterar o produto.

15 - Um exagero a mais,
não quer dizer que o barco afunde.

16 - Dependendo da ordem dos fatores,
alterar um dos produtos.

FIM
Veja mais fotos - clique RSS
Créditos - Fotos: Unglaublitichm, Suprenant, Publicity_ Art, NationalGeographics, Cool_Photos
Akio Kimura - 14/11/2009
Fotos em circulação na Internet
01 - A rã folheia
Gotas se despreendem
Chuva de verão.

02 - Abra o livro
Assopre a poeira
Sabedoria.

03 - Bolhas de sabão
No espaço aberto
Cai na minha mão.

04 - O símio grita
O homem se assusta
É amizade.

05 - Som de piano
Técnica perfeita
Primor sonoro.

06 - Esqui radical
É inverno, é neve,
É salto mortal.

07 - Inocência,
Beleza da alma
Felicidade.

08 - Jardim eterno,
Frente ao infinito
Paraíso moderno.
09 - Peixe gigante
Cercado por cardume
Uma revolta?

10 - Navio tombado
Inclinado no cais
Fotografado.

11 - Livro aberto
Leitura rápida
Sem atropelo.

12 - Dono do gato
Compara ao seu corpo
Gato obeso.

FIM
Crédito - Fotos: GermanPhotographer, Animeux, Suprenant, Minha avó(form. H. Pinho), Sculture, National Geographics.
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Akio Kimura - 24/10/2009 - Fotos geniais circulando na Internet
(Últimas fotos)
01 - O galo disse às galinhas que se o seguissem, seriam premiadas,
encheu o peito e cantou. Uma das aves cacarejou:
- Vamos! Nós somos galinhas mesmo!
02 - O pombo apareceu na vidraça da janela e sabia que não havia perigo.
Os gatos, dentro de casa, não sabiam porque não conseguiam atacá-lo.
A ave, virou-se de costas e balançou o seu traseiro.
03 - O garoto, de férias na fazenda, respondeu ao avô que tomaria cuidado
e que iria apenas jogar game no cais, porque da última vez,
o garoto quase fôra devorado por uma sucuri.
04 - Quando cheguei no ponto de ônibus, notei que havia esquecido
a minha mochila. Telefonei pra minha avó e ela me respondeu:
- Eu levo pra você! É pra já!
05 - Diante da desobediência de seus cães farejadores
que entraram em greve, o cãomandante impôs uma punição:
que eles ficassem de quatro até às quatro da tarde.
05 - O doutor macaco não entendia porque o seu paciente insistia
em fazer exame de toque e sempre dizia: não assopre!
E o falso médico respondia: não peide!
06 - A moça, cansada de ser trombada por trás nos metrôs, trens e ônibus,
resolveu colocar dois faróis no traseiro.
07 - O bichinho verde, depois de muito tempo fora de seu habitat,
estranhou o lugar. Olhou para os lados e resmungou: é aqui mesmo!
Ele mal sabia que o seu lugar tinha virado um condomínio fechado.
08 - Naquela manhã, o peixinho no aquário percebeu quatro olhos gordos
observando os seus movimentos: é provável que eu não viva até à noite.
Identifique as fotos de acordo com o texto acima.








FIM
Créditos - Fotos: Unglaublitchim, Cool_Photos, Erik Johansen
Créditos - Fotos de jornais: JT, Folha, Diário de São Paulo, MSN.
Akio Kimura/07/10/2009
(Belas fotos circulando na internet)
01 - A felicidade é como automóvel de um colecionador.

Para conservar o patrimonio, é necessário manutenção até o limite
do possível.

mas com pouca pressa de morrer.
03 - Ainda bem que há pessoas que tem iniciativa de demonstrar

ao mundo, a grandeza de seus atos.
04 - O progresso fez com que as renas do Papai Noel

fossem libertados, mas de que adiantou? São perseguidos.
05 - Enfim, o símbolo do capitalismo conquista o reduto animal.

06 - Na presença de humanos, é necessário rir diante das câmeras,

mesmo que seja um sorriso verde.
07 - Esta foto é para lembrarmos que ainda existe guepardo.

O animal mais veloz do planeta. Com risco de extinção.
08 - Um dia disse para uma mulher triste:

As folhas que cairam no outono, não serão as mesmas que nascerão na
próxima estação.

E ela respondeu: - Folhas são simplesmente folhas.
09 - Os frutos de um confronto armado são a miséria e sofrimento,

resultado de governos corruptos e ditatoriais. Quem perde é o povo.
10 - A natureza nos surpreende! Como pode um bichinho como esse,

calcular a distância com precisão matemática?
O FUTURO DO JORNAL EM 3D
FIM
CRÉDITOS: Fotos - JT, Folha, Diário de São Paulo, Veja, The Economist, Valor, Simca/Google.
CRÉDITOS: Fotos - GermanPhotographer 2007, Erik Johansen, Publicity_Art, Suprenant, Ungalaublitchm, NationalGeographics, Animeux, Jarekco-Pixidaus, Rozane de Holleben.
Akio Kimura - 01/10/2009
SEM NOÇÃO
01 - O que está acontecendo? Que lugar é esse?

Cadê areia? E o deserto?
02 - O faxineiro: - Esse cara está pensando faz um tempão,
mas na prática, quem acaba resolvendo sou eu.
03 - Não, Excelência, ninguém está escutando. O ato secreto nunca virá à tona.

Fique tranquilo, as paredes não tem ouvidos.
04 - O modelo ideal de identificação para os favorecidos

do ato secreto.
05 - Compartilhar democraticamente sem prejuízo a outrem

é um ato transparente.
06 - A ingenuidade faz parte do negócio, mas carregar dinheiro nas mãos?

Ele tem muito a aprender com a turma do mensalão. O dinheiro se carrega na cueca!
07 - Todas as invenções e criações realizadas pelo Homem

são um mal necessário.
08 - Nada pode deter a procriação, ela acompanha o progresso.

Ou será ao contrário?
09 - A necessidade de sobrevivência faz com que o Homem

construa caminhos engenhosos

em locais exuberantes.
10 - Quem discursa de olhos tapados,

pode ver depois, imagens distorcidas.
07 - A crítica é uma forma de aviso para o Homem adquirir

e aprimorar o bom senso.
FIM
Fotos - Créditos: Fotógrafos do JT, Folha de São Paulo, Valor, Veja, Diário de São Paulo, Associados.
Fotos - Créditos:GermanPhotohrapher 2007, Erik Johansen, Publicity ART, Suprenant, Unngalaublitchm, National Geographics, Animeux, Jarekco-Pixidau
* Crédito: A frase "não coloque as suas palavras na minha boca" é do jogador de futebol Dagoberto, do São Paulo FC.
* Crédito: Nico Bozzolan pela sugestão em "A Turma"
Akio Kimura - 17/09/2009
FOTOS INCRÍVEIS (Circulando na Internet)
Vamos percorrer a coluna vertebral do corpo do mundo.

Vamos observar o coração universal.
Ele bate fundo.

Vamos ver seres,

belezas,


forças




da

natureza.
Vamos observar

algumas espécies

de animais e seus predadores,

selvagens ou não.

E verificamos

que, mesmo assim,

são livres e felizes.
Vamos ver também, lugares inabitáveis e gelados,

contudo,

existem seres. Este é o nosso mundo.
Vamos observar também,

as cáries ambientais,

Elas fazem doer fundo.
Vamos observar as cordas vocais,

elas gritam em todos os cantos do mundo.
E em todos os seres,

sabemos que correm sangues de uma cor,

neurônios iguais

e pedaços

de dor.
Vamos observar o passado. Eram seres que sonhavam alto

e se empinavam nos ares.
Hoje,

seres transportam seres,

brincam rasgando espaços, destruindo pazes.

Ultrapassam a barreira do som que explodem nos ares.
O fígado negro do poder e da política

nos transforma,

nos adoece,

nos mutila

e nos faz doer a cabeça.
Embaixo, um apendicite

e em cima,

uma tosse seca.
Hoje, sentimos que o Homem não se dá o valor

da vida que usufrui,

nem mesmo do seu belo jardim que possui.

Será o Homem, o seu próprio predador?
FIM
Créditos: Buscas no Google/Wikipédia-enciclopédia livre - Galáxia/Universo - Uol ciência.hsw.uol- Fotos: Paulo Santos Reuters - Gazeta do Povo - Vida e Cidadania
Fotos: Fome no mundo - www.webciência.com
Fotos: Bomba Atômica - Holocausto
Fotos: La domination française-4/7/1943
Fotos: GermanPhotograher 2007, Erik Johansen(ed. Arango-fotos impossibles, FotoAgua-autor Sistem User; Nature's Best photographer: Breton; Publicity_Art(autor/ed.Iancu); Suprenant: autor/ed. Jose; Unnglaublitchm: título-Personajes del Intennè: NationalGeigraphics-autor:Dept. MME; Animeux; Jarekco-Pixidaus.
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